19.11.09
AlMa VERMELHA
Abraço as tardes…um pôr-de Sol.
Embalo-me na dança…à meia noite.
Esqueço a letra…cadê o lembrete?
Encontro a voz…da manhã.
Sou o coração…um lampejo.
Sou o fogo ardente…torcendo por ti.
Assassino o vento, por receio que te resfrie,
contemplo a lua, afago-a e a levo para ti.
Eu amo…simplesmente!
não perguntes como…nem peças explicação
Mas tentes enxergar
mais além de tua visão!

© Tania Montandon
1.9.09

Corto os nós do pescoço
Engasgado no embaraço
Do correr atrás do atraso
E na fuga da vida é que encosta
Corto o pescoço e dão nós
Pontos, linhas, costuras
Ai, pecado, tu te curas
Ou acabarão os nós e o ‘nós’
Não será ‘Sundae’ a esperar
Não será sangue a estancar
Será o inferno no termo
Não será ‘bubble gum’ a mascar
Não será domingo a descansar
Será o féretro do enfermo
6.8.09

O relógio bate a hora do dever
O corpo age automático
De longe, vejo-me mexer
Dia rotineiro fantástico
A trezentas milhas de distância, o mundo
As pessoas, as falas, os objetos
Escondem sob as aparências, o fundo
Contingências de motivos secretos
Enigma ainda maior é o do espelho
Mostra-me uma imagem movente
Cabelo, face, tronco, artelho
Sob ordens dum apelo consciente
Tal imagem, movimentos, consciência
Atribuídos a meu ser evanescente
Inapreensível estranheza desse ente
Constando de clareza uma carência
14.6.09

Honra sinto, ao conhecer uma alma
expondo seu puro ser, com desprendimento
Ouso até responder, pois sinto calma
Ante sincero escrever do sentimento
Pelas ondas do desconhecido
percebo um coração aberto e leve
letras esvoaçando como num ultra-leve
Ah, como acho isso bonito!
Sintonia, sincronia, sinergia
emoções reprimidas são pra serem libertas
com arte, amigos e alegria
Encantando a quem se atreve
dispor-se a ler-te por dentro
e sentir a vida do terno acolhimento
por: Tania Montandon
29.3.09

Meu corpo era tão pequenino
Até cabia numa barriga
E chorava como menino
Cresceu com leite e atenção
Esquivou-se de toda briga
E virou pura emoção
Ficou forte e utilizável
Apesar de duras caídas
E cantou com voz amável
27.3.09
Recebo tuas dores
como o solo recebe os passos de todos os dias
Vejo em tua fronte
meus sonhos de verão: fantásticos, sublimes
Teu olhar de mel,
doce fogo a tirar-me o véu
Nessa magia fiquei presa,
embriagada com tua beleza, ó príncipe magnânimo
Em tua presença,
o coração ameaça fugir pela boca,
desorientado e febril
Por que sorristes?
Como se minha tristeza te fizesse feliz…
És tu fruto de minha imaginação
ou da minha realidade uma parte?
Quando te verei novamente,
excelsa beldade?
4.1.09
Todas as pessoas
Têm qualidades e defeitos
Assim também eu como pessoa
Nada tenho de perfeito
Com o desenrolar dos anos
Fui condicionando-me a relevar
Meus podres que tendem a incomodar
Por mais que sejam insanos
No entanto perduram-se maus agouros
Pois as pessoas
A quem vou de encontro na vida
Não tiveram comigo durante o esforço
Até para mim
Que lido com fobia social há tantos anos
É tão duro de tolerar
O quanto me faz magoar
27.11.08

Sonhar à luz do luar
Cantando às estrelas cintilantes
Sentindo o frescor do ar
Embalando os impulsos desejantes
Parasita do tempo passageiro
Apropria-se do mundo espacial
Participa do ciclo rítmico mensageiro
Que divulga o limite do elo vital
Pulso cardíaco funcionando minimamente
Tensão exígua, contígua ao passamento
Células calmas drenando às impurezas
Equilibrando o organismo com finas sutilezas
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