18.4.06
soneto para minha morte
sei que um dia morrerei
como, quando, onde, não posso saber
um dia morrerei, eu sei
e não precisarei mais escrever
nesse dia, não verei mais a luz do Sol
não sentirei fome, sono, coisa alguma
irei a todas as partes, mas a nenhuma
conhecerei meu fado vital, o mistério-mor
morte, meu fim último, da vida consorte
por obséquio, venha com suavidade
e, então, prometo-te: serei toda cordialidade
morte, que chega a todos com certeza forte
seja bem-vinda no momento oportuno
beije este espírito em pedaços e o torne uno




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