31.5.06
Difícil crise de subjetivação
Ditar a identidade vaga
Interiorizar a aculturação
Corresponder às prioridades dadas
Anatomia marcada no genital
No centro do ser, um buraco primordial
Vazio do gênero, vazio efêmero
Vazio que devora a têmpera
História fixada na Certidão
No papel do Nome, no papel do Homem
Na oferta da civilização
Na perdição do sentido que some
Discurso de vil complexidade
Identidade na singular diferenciação?
Ou na semelhança com a alteridade
Entrega ao ato da comunicação?
24.5.06
Bela mistura dos gases naturais
Fundo diário d’alegria a mais
Céu que sinto meu na veia
Paraíso da espera cândida
Símbolo amigo da infância
Que reina, sábio, à distância
E alivia a humana ignorância
Instaura bons frutos no ser
Instiga a fé na Natureza
Paz harmônica a oferecer
A cor da fina sutileza
12.5.06
Ferida singela abate meu ser
Pergunto ao luar:
que magelas ainda hei de sofrer?
Resposta no ar
Estrelas piscam com cumprimentos loquazes
Sinalizam a beleza intocável da luz
Cantam serenas melodias sagazes
Mostram seu brilho que tanto seduz
Cada fenômeno presente contribui
Pr’elaboração crescente que me restitui
cada perda de sentido que acomete-me
Assim, entrego-me ao que o fado remete-me
9.5.06

Se alguém soubesse o que é angústia
Aquele aperto doloroso no espírito
Não me condenaria em minha balbúrdia
Nem utilisaria, impio, voz satírica
Se alguém soubesse o que é loucura
Aquela tentativa malograda de comunicação
Não usaria de sedação pretextando cura
Usaria dum nobre coração com a mais fina ternura
Se alguém conhecesse a concreta e seca lágrima
Aquela invisível que escorre internamente
Não duvidaria de sua potência ácida
Nem estranharia um cadáver precoce no mundo,
uma vida ausente
pra sempre.
5.5.06
Haziel,dourado anjo
que por mim vela e zela
entrgo-te meu ser, todo ele
com o que tem de bom e de ruim
É todo seu
faça o que quiser
administre-o como puder
aproveite o que der
pois não o posso mais conduzir
não o faço sorrir
não cumpri o que prometi
não mereço, pois, nada pedir
choro a vergonha do fraquejar
lamento os males que não logro deixar
sofro a chama da culpa a se espalhar
…e a dor por não acabar…