29.7.08
Saí de viagem esta noite
Adejando com os anjos, com o piano
Com a melodia que tu fostes
Minha eterna criança - lembrança
Entreguei-me de corpo e alma
Àquele cuidado que me fora dado
Impotente, desconhecendo minha palma
Ofereci a mão à ajuda ao lado
Fazia sempre isso na infância
Até machucarem meu perceber, minha confiança
Até perder meu poder de mandância
Até precisar escolher, minha fiança
Recobrar o que não se conhece
Um vindo porvir
Soltar a mente canhestra
Simples ir e vir…
Ademais o resto é livre…
… leve
… liso
Não se descreve…
24.7.08
Não sei se calo
O que me move neste instante
Não sei se falo
Expondo este ridículo figurante
Resolvo, então, deixar fluir o coração
Povoam-me a insegurança, o tédio
A insônia persegue a imaginação
E essa escrita aparece como o único remédio
Sejas complacente à eloquência ausente
É só um espírito conturbado
Fazendo da carência presente
Um ensaio de insano rabiscado
~
8.7.08
O sol abria as portas de minha liberdade
Parecia sorrir com a inocência e o brilho duma criança
Pude sentir minh’alma aquecida e um projeto de andança
Refletia meus sonhos de vida, responsabilidade
Um anjo revelou-me um segredo, inquieto:
O destino não está feito, não em decreto
Cresceu então a espontaneidade lesta
Entrando no ritmo da música - festa!
O sol iluminava os adornos de minha ipseidade
Mostrava um ar sereno, sóbrio, sábio
Cresci sob seus augúrios, seu colo amável
Agora ponho meu ser em contínua atividade
O anjo espreita, sorrateiro, minha caminhada
Suas bochechas vermelhas, seus cabelos encaracolados
Zelam por mim, por minha história encantada
O mundo parece ser certo, apesar dos efeitos truncados
~